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Eminence grava em BH o seu quarto CD, ainda sem nome

PJ, do Jota Quest, e Paulo Junior, do Sepultura participam de faixas. Produção é do dinamarquês Tue Madsen

Ailton Magioli - EM Cultura Publicação:25/02/2013 11:26
No estúdio do Belvedere, André (baterista), PJ (baixista), Alan (guitarrista), Bruno (vocal) e o produtor Tue Madsen (sentado)  ((Marcos Michelim/EM/D. A PRESS))
No estúdio do Belvedere, André (baterista), PJ (baixista), Alan (guitarrista), Bruno (vocal) e o produtor Tue Madsen (sentado)
A presença de dois baixistas de peso no disco que a banda Eminence está gravando em Belo Horizonte é pura coincidência, garante o guitarrista Alan Wallace, comemorando a oportunidade de reunir PJ , do Jota Quest, em duas faixas, e Paulo Xisto Junior, do Sepultura, em três. Com visto de trabalho no país negado, o produtor norte-americano Terry Date, anteriormente anunciado, foi substituído pelo dinamarquês Tue Madsen, com o qual a banda de metal mineiro também gravou o disco anterior.

Quarto álbum da Eminence, que, em 17 anos de estrada se dedica mais às longas turnês do que à carreira fonográfica, o disco, ainda sem título, tem lançamento previsto para o segundo semestre. “Somos uma banda de estrada”, justifica Alex, anunciando para o mês que vem dois shows da Eminence no South by South West, festival alternativo de música e cinema de Austin, nos Estados Unidos. A troca do baixista Jairo Guedes, que foi guitarrista do Sepultura, por Thiago Corrêa (ex-Udora), associada às longas turnês da banda de metal mineira, contribuiu para que a Eminence fizesse tão poucos discos até agora.

A última grande turnê da banda mineira durou quatro anos (começou em 2008), com direito a passagens pelo Japão, Nova Zelândia, Suriname, Estados Unidos, Suíça, Alemanha, República Tcheca, Inglaterra, Hungria, Romênia, Bélgica e Colômbia, entre outros países. Se por um lado a carreira internacional é motivo de comemorações, por outro, segundo Alan Wallace, ela também deixa a banda preocupada. Por aqui, além do Abril Pró-Rock, do Recife, a Eminence é assídua em festivais como o Porão do Rock, de Brasília. O último show na capital mineira, recorda o guitarrista, foi há dois anos, no fechamento do Lapa Multshow.

Cara a tapa

“Apesar de vivermos uma fase negra, com o predomínio da música sertaneja, a qualidade das bandas brasileiras melhorou muito”, avalia Alan Wallace, para quem as coisas “fluíam” mais e melhor quando a MPB se destacava no mercado. Se ao Sepultura deve ser creditada a abertura do mercado internacional para o metal mineiro, à própria Eminence pode ser atribuída a continuidade do trabalho. “Não adianta apenas abrir espaço. Tem de trabalhar, pôr a cara a tapa, como estamos fazendo”, acrescenta o guitarrista.

Com o lançamento em negociação com gravadoras europeias e americanas (o anterior, com 19 mil cópias vendidas, saiu pela espanhola Locomotive, que fechou), o novo disco da Eminence tem por diferencial as afinações mais baixas, que, segundo Alan Wallace, dão a sensação de mais peso e grave ao som. “Usamos muito lá sustenido e si”, afirma o guitarrista, lembrando que as letras continuam sendo feitas em inglês. “Para falar a verdade, o governo Dilma me inspirou muito desta vez”, confessa Alan, que classifica de “uma porcaria” a administração da primeira mulher presidente do país. “Além das dificuldades na educação e saúde, a presidente aumenta o combustível e reduz a energia”, critica o guitarrista, manifestando o desejo de mostrar aos gringos a dificuldade de o brasileiro sobreviveram ao salário mínimo.

Empatia

Depois de poucos privilegiados e amigos como Chris Brown, Playing for Change, Paula Fernandes e Gusttavo Lima, é a vez de a Eminence gravar no estúdio que o Jota Quest mantém no Bairro Belvedere, Centro-Sul de Belo Horizonte, sob patrocínio de uma potente rede de TV paga. “Estamos sempre abertos a projetos de amigos”, diz o baixista PJ, lembrando que ele e Allan Wallace têm amigos em comum.

Algumas ligações entre ambos contribuíram para a necessária empatia, que levou a banda de metal a gravar no estúdio do grupo pop. “O som da Eminence é muito bom e muito bem elaborado”, elogia o integrante do Jota Quest, lembrando que a banda dá continuidade à história do heavy metal mineiro, que tem o Sepultura como um dos principais pioneiros. Em férias até março, o Jota Quest se prepara para uma volta à origem soul, depois de cinco anos sem um disco de inéditas. “Vamos voltar às raízes do soul”, anuncia PJ, lembrando os 15 anos da estreia fonográfica da banda pop.

Na mesma sintonia

Em Belo Horizonte exclusivamente para as gravações com a Eminence, Paulo Xisto Junior, do Sepultura, que retorna para São Paulo hoje, afirma que aceitou o convite pela amizade com Alan Wallace, além da música. “Eles fazem um som superconcentrado e bacana”, elogia o contrabaixista. Segundo ele, depois de dois meses de férias, o Sepultura volta aos ensaios em estúdio hoje à noite, preparando-se para mais uma turnê europeia, entre abril e maio. O próximo disco da banda brasileira de metal mais conhecida no exterior será gravado entre junho e julho, fora do Brasil. “Ainda está tudo muito cru”, desconversa Paulo Junior, atribuindo às férias de dois meses a carência de maiores novidades sobre o disco, que terá lançamento apenas no segundo semestre.

Pela segunda vez no Brasil – a primeira foi em 2007, para produzir o terceiro álbum da banda mineira, 'The god of all mistakes', lançado no ano seguinte –, o dinamarquês Tue Madsen (Rob Halford, The Haunted, Minemic, Sick of Itall, entre outros), elogia a “identidade” e “energia” da banda mineira, que ele classifica como “muito fortes”, dizendo que os integrantes da Eminence também estão na mesma sintonia. “Não fosse isso, eu não estaria aqui”, diz Tue Madsen. Apesar de ainda não conhecer muito do Brasil, o produtor dinamarquês acredita que há algo de muito receptivo no povo brasileiro. Para tanto, ele recorre à banda Sepultura, cujo álbum 'Roots' (Raízes), segundo acredita, seria reflexo da musicalidade nata do país, que continua atraindo a atenção do exterior.

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