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Filme que retrata um amor virtual, 'Ela' tem estreia nesta sexta

Trabalho dirigido por Spike Jonze mostra com fidelidade a solidão e as dificuldades de relacionamento nos tempos modernos

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Carlos Herculano Lopes - EM Cultura Publicação:14/02/2014 06:00Atualização:14/02/2014 10:45

Pobre Joaquin Phoenix seu personagem vive um romance apenas com a voz de Scarlett Johansson (Sony Pictures/Divulgação)
Pobre Joaquin Phoenix seu personagem vive um romance apenas com a voz de Scarlett Johansson
Exercício de ficção? Chance real para um futuro não muito remoto? Será mesmo possível, dentro de alguns anos, um homem se apaixonar por uma máquina e ser correspondido, a ponto de sentir sua falta como se ela fosse uma pessoal de carne e osso e sentimentos como os nossos? A solidão e o vazio, inerentes aos seres humanos, poderão ser apaziguados dessa forma? Difícil responder.


Mas essas perguntas, pelo menos no cinema, já ultrapassaram as fronteiras da fantasia. Transformaram-se  em possibilidade real  e emocionante, tanto que em determinados momentos leva os espectadores às lágrimas – como podemos ver no belo Ela, filme de Spike Jonze. O diretor, com genialidade e sensibilidade rara, cria um relacionamento entre um homem e uma máquina.

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Tudo começa quando Theodore Twombly (Joaquin Phoenix), um escritor introvertido, recém-divorciado e meio descrente da vida, resolve instalar em sua casa o sistema operacional OS1. Inteligente, depois de ficar sabendo detalhes relacionados ao cotidiano do comprador e de ter coletado dados a seu respeito, o sistema se apresenta como Samantha, por meio da voz da bela atriz Scarlett Johansson, que dispensa comentários. Começa, então entre Theodore e a máquina, um relacionamento que vai crescendo, como se os dois fossem um casal como outro qualquer, ao qual a vida reserva surpresas, bons e maus momentos.

Em determinado momento, Samantha, que passa a interferir na vida de Theodore, já terrivelmente apaixonado por ela, revela que está evoluindo da sua condição de máquina: “Quero ser complicada como todas as pessoas”, diz. E conclui: “O passado é só uma história que contamos para nós mesmos”.

Questionamentos, discussões acaloradas e trocas de carícias – inerentes a qualquer casal – passam a ocorrer entre eles, evoluindo como um grande romance real. Em uma das passagens mais emocionantes a “relação” se torna extremamente caliente, de fazer inveja a qualquer pessoal “normal”.

Mérito da trama é levar para o cinema situação extrema do que já podemos ver ocorrendo na sociedade atual, em que muitos passam mais tempo se relacionando com e por meio  da máquina (computador, celular...) do que com pessoas de carne e osso. Realidade que nos faz refletir e até imaginar que essa história de amor incomum, que explora a relação entre o homem contemporâneo e a tecnologia, não está assim tão longe de se concretizar.

PRÊMIO
O roteiro do filme foi premiado no Globo de Ouro, ao qual concorreu ainda nas categorias de melhor filme comédia/musical e melhor ator de comédia/musical para Joaquin Phoenix. Ela concorre aos Oscars de melhor filme, roteiro, trilha sonora, canção e design de produção.

Máquina sensual

A grande sacada dos realizadores de escalar a atriz Scarlett Johansson para o papel da “voz” da máquina que envolve o personagem de Joaquin Phoenix, Theodore Twombly, está no fato de a imagem da atriz estar sempre associada à de uma mulher extremamente sensual. Tanto que, sete anos depois de ter sido escolhida pela revista Esquire como a mulher mais sexy do mundo, a atriz recebeu o título novamente, ano passado. Foi a primeira vez que a mesma pessoa ficou com o título duas vezes. Se é para se relacionar com uma máquina, que ela pelo menos tenha a voz de Scarlet.

OSCAR
Concorre a melhor filme, roteiro, trilha sonora, canção e design de produção.

 

Assista o trailer de 'Ela':

 

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