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'Gonzagão - A lenda' usa trupe de teatro para reviver Luiz Gonzaga

Peça não traz detalhes da história do rei do baião, dispensa o didatismo relacionado ao mito e centra-se no homem do sertão que virou rei

Carolina Braga - EM Cultura Publicação:08/03/2013 07:00Atualização:14/03/2013 10:48
João Falcão recria a história do rei do baião em Gonzagão %u2013 A lenda (Silvana Marques/divulgação)
João Falcão recria a história do rei do baião em Gonzagão %u2013 A lenda
A companhia teatral formada por oito homens e uma mulher conta, com ar saudosista, o surgimento de uma das grandes lendas da música brasileira. “Esse distanciamento permite que eles falem de Luiz Gonzaga com liberdade, mostrem o que pode ter ocorrido, mais do que aquilo que de fato ocorreu”, explica Falcão. A licença poética leva a assinatura do diretor. E ele não nega: deu um trabalho danado. 

O roteiro da peça mistura passagens reais da vida de Luiz Gonzaga a fatos que saíram da cabeça do criador. No meio disso, as 37 canções que compõem o repertório viram dramaturgia na boca dos atores-cantores. 

Marcelo Mimoso atua pela primeira vez em 'Gonzagão - A lenda' (Silvana Marques/divulgação)
Marcelo Mimoso atua pela primeira vez em 'Gonzagão - A lenda'
“Queria que as músicas contassem a história. Como ele tem repertório incrível, não foi difícil achar uma para cada situação”, explica João Falcão. O contrário também ocorreu. Canções inspiraram cenas não necessariamente relacionadas à história do personagem. Por exemplo: por mais que Gonzagão estampasse no figurino a admiração por Lampião, o encontro entre eles só existe no palco. “A opção por contar uma fábula também permitiu criar um encontro hipotético dele com o filho, sem ter que contar detalhes de biografia”, ressalta o diretor. 

Estreante em um palco de artes cênicas, o agora ator e músico Marcelo Mimoso parece feliz com a experiência. “Gonzagão tem música para dar e vender. Se você vai fazer um baile de forró, vai tocar a noite inteira sem repetir uma. Achei muito interessante a forma como João Falcão foi montando as cenas de acordo com as canções”, diz.

CLÁSSICOS

Para Mimoso, um dos pontos altos da montagem é o encontro de Gonzagão e Gonzaguinha ao som de 'Sangrando', composição do filho do rei. “É um momento muito emocionante porque as pessoas choram nessa cena. Ter que levar verdade para uma coisa que não ocorreu é forte”, comenta. A direção musical e os arranjos são de Alexandre Elias.

No roteiro pinçado por Falcão estão clássicos compostos por Luiz Gonzaga como também outras canções marcantes de parceiros como Humberto Teixeira, Zé Dantas e outros. 'Asa Branca', 'Qui nem jiló', 'O xote das meninas', 'Sabiá', 'A vida de viajante', 'Óia eu aqui de novo' são algumas presentes no repertório, executado por Beto Lemos (viola e rabeca), Daniel Silva (Cello), Rick de la Torre (Bateria e Percussão) e Rafael Mininão (acordeom). 

Ao longo da carreira, João Falcão sempre demonstrou especial interesse pelo trabalho de ator. O projeto mais recente nos palcos, Clandestinos, é grande prova disso. O mesmo vale para 'A máquina', trabalho que revelou Lázaro Ramos, Wladmir Brichta, Wagner Moura e Gustavo Falcão. Em 'Gonzagão – A lenda', os nove integrantes do elenco se revezam na interpretação de todos os personagens, inclusive do protagonista. “Nosso espetáculo é muito teatral, representativo. Não é nada realista. Nem a encenação, nem a trama. É uma poesia”, resume Falcão.

'Como ele tem repertório incrível, não foi difícil achar uma para cada situação', João Falcão, diretor. (Márcio Nunes/TV Globo)
"Como ele tem repertório incrível, não foi difícil achar uma para cada situação", João Falcão, diretor.
'Gonzagão - A Lenda'
Duração: 80 minutos
Classificação: 12 anos
Dias: 16 e 17 de março, sábados às 21h e domingos às 17h (sessão extra) e 19h.
Local: Teatro Bradesco – Rua da Bahia 2244, Lourdes (613 lugares)
Ingressos: setores I e II - R$ 70,00 inteira e R$ 35,00 meia entrada (conforme a lei)
Informações: (31) 3516 -1027

100 anos de Gonzagão
Segunda-feira, às 20h, o projeto Sempre um papo recebe o escritor Bené Fonteles (autor do livro O rei do baião), o jornalista e escritor Carlos Marcelo (autor do livro 'O folie roncou') e o diretor João Falcão, no Teatro Bradesco. Entrada franca.

O repertório

Aboio/ Beata mocinha / Cintura fina / Vira e mexe / Xamego / Lampião no inferno / Lampião falou / Samarica parteira/ Lampião no inferno / 17 légua e meia /O xote das meninas / Romance matuto / Olha pro céu / Tem pouca diferença / Juazeiro / Pau-de-arara / A feira de Caruaru / O toque de rancho / Ana Rosa / Roendo unha / No Ceará não tem disso não / Sabiá / Vem morena / Adeus Pernambuco / Galope / Qui nem jiló / Baião / Respeita Januário / Estrela de ouro / Sangrando / A vida de viajante / O último pau-de-arara / Asa branca / Assum preto / A morte do vaqueiro, toada / A volta da asa branca / Óia eu aqui de novo.

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